A MENINA... O CASTELO... E O SEGUNDO LIVRO!


Menina pequena lendo, 1890, 
Charlotte J. Week (Grã-Bretanha, sem datas),
 Óleo sobre tela, 91 x 74cm

IV CAPÍTULO

Ana Maria Louzada

A avó, se encantava com as histórias da neta, a menina sonhadora, que inventava histórias e que transformou um pedaço de madeira no mais belo livro de memórias vivenciadas no tempo espaço dos quintais por onde passava. Bem a avó, percebeu que o seu quintal já não era mais o mesmo.

De acordo com as ideias da menina, o enorme paiol que ficava na parte mais alta do quintal, se transformara num castelo. A sua escada comprida transportava todos os sonhos para a vila das estrelas. Aquelas estrelas brilhantes, que apareciam a noite.

Sim... Naquele quintal se podia ver as estrelas!  Mas não era permitido subir naquela enorme escada. Então, a menina imaginava que aquele castelo que acabara de transformar, poderia ser o esconderijo do gigante, ou quem sabe do rei malvado. Mas também poderia ser o esconderijo de boas experiências... e quem sabe, de objetos valiosos!

Percebendo que a menina não saia de perto daquele paiol, ou seja do castelo imaginário da neta, a avó a convidou para subir a enorme escada. Cada degrau que subia, a menina tinha um frio na barriga. Ficava imaginando o que poderia ter de verdade naquele castelo... paiol.

De mãos dadas, a avó e menina chegaram ao último degrau. A porta se abriu, sim... a avó, um pouco mais alta do que a menina abriu a porta, mas parecia que estava abrindo-se sozinha. E, como toda porta de paiol, fez um barulho muito estranho. As dobradiças estavam velhas e enferrujadas... Não! O barulho era muito assustador. Talvez fosse o gigante ou o rei malvado chamando a atenção das duas, pensava a menina. Mas como poderia ser? Se eles, o rei e o gigante estavam dentro do livro de madeira? Que imaginação é essa! Afinal personagens de histórias podem entrar e sair dos livros na hora que quiserem. Eles poderiam sim, ficar bravos com a invasão.

Nesse momento de indagações e imaginações... A avó puxou a menina para dentro e logo recomendou que não fosse perto da porta. Afinal aquele paiol era muito alto. Era perigoso cair da escada. Recomendou também, que não podia mexer nas coisas que estavam lá dentro.

Tudo tinha um cheiro muito forte. Cheiro de coisas guardadas. Cheiro de poeira. Poeira dos móveis velhos que lá se encontravam. Cheiro de poeira de milho. Bem no canto tinha um monte de palhas secas de milho. Cheiro de selas de cavalo. Cheiro de sela suada e de cavalo molhado. Nossa! Parecia mesmo, cheiro de gigante... ou do cavalo do rei!

A menina observava tudo enquanto a avó procurava algo. Talvez estivesse procurando o rei malvado, o seu cavalo ou o gigante rabugento. Tudo para proteger a menina. Afinal ela era a sua avó, e as avós protegem... não é mesmo?

Mas, logo a menina percebeu que no meio de uma cortina de poeira, iluminada pelo sol que penetrava pela fresta da janela, estava a sua avó, que se misturava com as mil estrelinhas coloridas que pairavam ao seu redor, enquanto tentava levantar um lençol amarelado.

Procurando entender o que estava embaixo daquele lençol que a avó acabava de puxar, a menina percebeu que algo mágico estava acontecendo. Segurando seu livro de madeira entre o coração e o braço, passou por cima dos caixotes de milho e olhando atenta para as mãos da avó... A menina descobria que dentro daquele paiol, embaixo daquele lençol amarelado, moravam livros! Quem sabe ali estava o seu segundo livro...

Leia também os demais capítulos!
CAPÍTULO I

CAPÍTULO II

CAPÍTULO III

CAPÍTULO IV

CAPÍTULO V

CAPÍTULO VI

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